Como dar feedbacks construtivos sem deixar os funcionários em modo defesa?

9 de fevereiro de 2019

Oferecer feedbacks construtivos é uma das tarefas mais importantes, e também uma das mais desafiadoras, para quem lidera ou trabalha em equipe. Quem nunca suou frio só de pensar em ter aquela conversa difícil, com medo de soar ofensivo ou de que a pessoa reaja na defensiva? 

Mas a verdade é que o feedback, quando bem feito, é um superpoder. Ele ajuda a gente a crescer, a melhorar o trabalho e a fortalecer os relacionamentos. E o melhor: não precisa ser um drama. 

Dá pra aprender a fazer isso de um jeito leve, objetivo e que realmente gera resultado. Quer ver? A gente preparou um roteiro descomplicado para você transformar o feedback em uma ferramenta de evolução para a sua equipe.

Um roteiro curto que você pode colocar em prática rapidamente

Sabe aquela situação em que a gente pensa: “Putz, preciso falar com fulano, mas como?” O segredo é ter um mapa. Um jeito de começar, desenvolver e terminar a conversa sem se perder e sem deixar a pessoa se sentir atacada. 

A ideia principal é focar no que aconteceu, no efeito que isso teve e no que pode ser diferente, em vez de apontar dedos ou rotular. A gente te garante que, com esses quatro passos, o feedback se torna muito menos um “tribunal” e muito mais uma chance de crescimento.

Passo 1 — Abra a conversa com um objetivo claro e respeitoso

Antes de mais nada, pense no porquê dessa conversa. O que você quer que a pessoa entenda ou mude? Tenha um objetivo claro na cabeça. E, na hora de chamar para conversar, seja direto e respeitoso. Não faça rodeios ou crie mistério. Diga o que você quer falar sem assustar.

  • Evite: “Precisamos conversar sobre o seu desempenho, está complicado.” (Isso já gera defensiva)
  • Prefira: “Gostaria de conversar com você sobre um ponto específico que observei no projeto X. Tenho algumas ideias e quero ouvir sua perspectiva para a gente encontrar uma solução juntos. Que tal uns 15 minutos depois do almoço?”
    • Aqui, a gente já mostra que é uma conversa em conjunto, sobre um tema delimitado e com foco em solução.

Passo 2 — Descreva a situação e o comportamento de um jeito observável

Lembra quando a gente fala pra focar no que aconteceu, não em rótulos? É aqui que a mágica do feedback acontece. A gente usa o modelo SBI: Situação, Comportamento, Impacto. Comece descrevendo a Situação: onde e quando aquilo aconteceu. Seja o mais específico possível.

  • Evite: “Você é desorganizado nas reuniões.” (É um rótulo, a pessoa vai discordar)
  • Prefira: “Na reunião de terça-feira, sobre o orçamento do novo projeto (Situação)…”
    • Com a situação bem clara, a pessoa consegue se localizar e sabe exatamente a que você se refere. Isso evita que ela fique procurando na memória qual “reunião” ou qual “desorganização” você está falando. Ajuda a focar no presente e no que realmente importa.

Depois, descreva o Comportamento: o que foi dito ou feito, de forma que qualquer um que estivesse lá pudesse ter observado. Sem julgamentos, só os fatos.

  • Evite: “…você pareceu disperso e não contribuiu muito.” (Isso é uma interpretação sua)
  • Prefira: “…você interrompeu a fala do João três vezes e não apresentou os dados que havíamos combinado (Comportamento).”
    • Ao descrever apenas o que foi observável, a gente não dá espaço para a pessoa dizer “eu não fiz isso” ou “você está me rotulando”. O foco se mantém no comportamento que pode ser ajustado, e não na pessoa.

Passo 3 — Explique o impacto e faça uma pergunta que convide resposta

Agora é a hora de falar do Impacto: qual foi o efeito direto daquele comportamento no trabalho, na equipe, no cliente, no resultado final? Conecte o comportamento à consequência de forma clara.

  • Evite: “…e isso atrapalha o time todo.” (Muito vago)
  • Prefira: “Isso fez com que a gente perdesse o raciocínio em alguns momentos, e tivemos que adiar a decisão sobre aquele ponto, o que atrasou nosso cronograma em um dia (Impacto).”
    • Quando a gente explica o impacto real, a pessoa entende a seriedade da questão e por que é importante mudar. O feedback deixa de ser uma reclamação e se torna um alerta sobre as consequências do comportamento.

Depois de explicar o impacto, a gente abre a conversa. Não é uma palestra, lembra? A gente quer que a pessoa também participe, que traga a visão dela. Faça uma pergunta que realmente a convide a refletir e a falar.

  • Evite: “Você concorda?” (Pode soar como “eu estou certo, você está errado”)
  • Prefira: “Como você viu essa situação?” ou “O que aconteceu do seu lado nesse momento?” ou “O que você acha que a gente pode fazer para evitar que isso aconteça de novo?”
    • Essas perguntas abrem espaço para a pessoa se expressar, explicar o contexto dela, e até trazer soluções. Isso transforma a conversa em um diálogo produtivo.

Passo 4 — Combine um próximo passo pequeno e um momento de retorno

Um feedback que não tem um “depois” é um feedback incompleto. A ideia é que a conversa termine com um acordo sobre o que vai mudar e como isso será acompanhado. O ideal é que o próximo passo seja pequeno, específico e alcançável.

  • Evite: “Espero que você não faça mais isso.” (Não é um acordo nem um plano)
  • Prefira: “Pensando nisso, que tal se na próxima reunião sobre X, você se preparar para apresentar os dados no início e a gente combinasse um sinal, tipo um toque no ombro, se alguém sentir que a conversa está fugindo do foco para a gente retomar? E podemos conversar de novo na sexta-feira para ver como foi, o que você acha?”
    • A gente define um comportamento claro, um jeito de lembrar e um prazo para revisitar o assunto. Isso cria responsabilidade e mostra que você está ali para ajudar, não apenas para criticar.

Por que o jeito que você dá feedback muda o clima do time?

A gente ouve muito que “feedback é um presente, não uma punição”. E é mesmo! Mas um presente que, se entregue de qualquer jeito, pode machucar em vez de ajudar. O clima do time, a confiança, a abertura para inovar… tudo isso é impactado pela forma como as conversas sobre melhoria acontecem. 

Um ambiente onde as pessoas se sentem seguras para errar e aprender é um ambiente onde a criatividade e a colaboração florescem.

Clareza não é dureza: é reduzir mal-entendidos

Quando a gente é claro no feedback, estamos fazendo um favor para todo mundo. A falta de clareza gera ruído, interpretações erradas e frustração. Ninguém gosta de ter que adivinhar o que o outro quer dizer. 

Quando usamos o modelo SBI, por exemplo, tiramos a subjetividade da conversa e focamos nos fatos. Isso não é ser “duro”, é ser profissional e respeitoso com o tempo e a energia do outro. A pessoa entende exatamente o que precisa ajustar, sem achismos.

Feedback frequente evita surpresas e baixa a tensão

Sabe aquele feedback anual que parece um dia de julgamento final? É um terror! Quando a gente deixa acumular, o feedback vira uma bomba-relógio, cheia de coisas que já aconteceram há meses e que a pessoa nem lembra mais. 

Isso cria uma tensão desnecessária e faz com que a pessoa reaja com defensiva.

A ideia é que o feedback seja parte da rotina. Aquelas conversas rápidas, os check-ins semanais, os encontros 1:1. Quando o feedback é frequente e acontece perto do momento em que algo ocorreu, ele perde o peso dramático. 

Ele vira uma conversa normal, sobre o dia a dia do trabalho, sobre o que está funcionando e o que pode ser aprimorado. Não tem surpresa, não tem estresse. É só parte do processo de crescimento. A gente se acostuma a dar e receber, e isso fortalece a equipe.

Como dar feedbacks usando o modelo SBI?

O modelo SBI (Situação, Comportamento, Impacto) é uma estrutura poderosa. Mas, como tudo na vida, o jeito que a gente usa faz toda a diferença. Ninguém quer ouvir um robô declamando “Situação: … Comportamento: … Impacto: …”. 

O segredo é usar o roteiro como um guia interno, para organizar suas ideias e garantir a clareza, mas entregar a mensagem com o seu jeito de ser, de forma natural e humana.

Situação: recorte tempo e contexto

Quando a gente fala da Situação, queremos criar um cenário. Onde estávamos? Quando? Qual era o contexto? Isso ajuda a pessoa a acessar a memória e entender a que você se refere. Mas sem virar um romance policial. Seja conciso.

  • “Na apresentação para o cliente na segunda-feira passada…”
  • “Durante a reunião de alinhamento do projeto X, na semana passada…”
  • “No e-mail que você enviou para a equipe na quarta-feira sobre o planejamento…”

Percebe como damos o ponto de partida sem se aprofundar demais? É só o suficiente para a pessoa saber quando e onde o comportamento aconteceu.

Comportamento: fale do que foi dito/feito, sem rótulos

Essa é a parte mais delicada. A gente tende a rotular as pessoas, ou a descrever o comportamento de forma genérica. Mas o foco aqui é no observável. O que você viu, ouviu, leu?

  • “Você chegou 15 minutos atrasado na reunião…”
  • “Você comentou ‘Isso é impossível de fazer’ três vezes durante a discussão das ideias…”
  • “O relatório que você entregou tinha cinco erros de concordância e dois de português…”
  • “Você enviou a comunicação sem copiar a Joana, que é a responsável por aquele tópico…”

A gente não está dizendo que a pessoa é “atrasada”, “negativa” ou “desatenta”. Estamos descrevendo o que ela fez. A diferença é sutil, mas enorme.

Impacto: diga o efeito concreto no trabalho e nas pessoas

Por que o comportamento é um problema? Qual foi a consequência? É aqui que a gente conecta o ponto, mostrando que o feedback não é uma implicância pessoal.

  • “…o que nos fez começar a apresentação com a pauta já um pouco corrida e o cliente impaciente.” (Impacto no cliente e na dinâmica da reunião)
  • “…o que desmotivou o time e cortou um pouco o fluxo de ideias que estavam surgindo.” (Impacto na equipe e na criatividade)
  • “…o que nos fez ter que parar para revisar e corrigir o documento antes de enviar, atrasando a entrega final.” (Impacto no trabalho e no cronograma)
  • “…o que resultou em uma informação importante não chegando a tempo para a tomada de decisão dela.” (Impacto na colega e na decisão)

Quando o impacto é claro, a pessoa entende a importância de ajustar o comportamento.

Pergunta final: o que você quer entender antes de seguir

Depois de apresentar a Situação, o Comportamento e o Impacto, é fundamental que a gente fique quieto e ouça. A pergunta é um convite genuíno para a troca.

  • “Conte um pouco: o que você percebeu nessa situação?”
  • “Qual era sua intenção quando você agiu assim?”
  • “Existe algo que te impediu de fazer diferente naquele momento?”
  • “O que você precisa para que isso seja diferente da próxima vez?”

Se queremos que a pessoa absorva o feedback e realmente mude, precisamos dar a ela a chance de se expressar. É a escuta que transforma o feedback em diálogo.

O que costuma estragar um feedback bem-intencionado?

Sempre temos as melhores intenções. Mas, às vezes, o jeito de falar acaba sabotando a mensagem. É como oferecer um presente embrulhado em farpas: o presente é bom, mas a embalagem machuca. 

Conhecer esses “vilões” do feedback nos ajuda a evitá-los e a garantir que a mensagem chegue onde precisa.

Generalizações e “você sempre/você nunca”

“Você sempre entrega atrasado”, “Você nunca se compromete de verdade”. Frases assim são um veneno. A gente sabe que quase ninguém sempre faz algo ou nunca faz algo. 

Essas palavras abrem um flanco para a pessoa se defender, buscando uma exceção. Ela vai pensar: “Não, na semana passada eu entreguei no prazo!” e a conversa desvia do foco. 

Em vez de discutir a mudança, começamos uma briga de memórias. Foque no episódio específico que você quer abordar.

Misturar caráter com comportamento

Outro erro clássico: em vez de falar do que a pessoa fez, falamos do que ela é. “Você é irresponsável”, “Você é desorganizado”, “Você é egoísta”. Isso ataca a identidade dela. 

E quando a gente ataca quem ela é, a reação natural é a defensiva. Ninguém gosta de ter o caráter questionado. Lembre-se: o foco é no comportamento que pode ser alterado, não na essência da pessoa. “O que você fez” é diferente de “quem você é”.

Escolher o timing errado e falar no calor do momento

“Fulano, posso falar rapidinho?” e despejamos um feedback complexo no meio de um corredor. Ou pior: estamos com a cabeça quente, irritados com algo, e resolvemos dar o feedback naquele exato momento. Isso quase sempre dá errado.

Feedback dado no calor da emoção tende a ser reativo, cheio de julgamentos e sem clareza. E feedback dado em um momento inadequado (a pessoa está correndo, estressada, saindo de uma reunião importante) simplesmente não é absorvido. 

Se você está irritado, respire fundo, acalme-se e agende um horário para conversar. Diga: “Olha, percebi algo e gostaria de conversar com você sobre isso amanhã, que tal às 10h?”. Isso mostra respeito e profissionalismo.

Elogio genérico que não ajuda ninguém

Um erro comum, especialmente quando queremos suavizar o feedback negativo, é começar com um elogio genérico. “Você é uma pessoa ótima, super engajada, mas…”. Ou “Seu trabalho é bom, mas…”. 

Elogios assim não são específicos, não são sinceros e a pessoa percebe. Eles não preparam o terreno, eles geram desconfiança. Se for elogiar, que seja um elogio verdadeiro e específico, sobre algo que a pessoa realmente fez bem. 

E, se não tiver um elogio real para dar naquele momento, não precisa forçar.

Exemplos de frases para dar feedback construtivo sem atacar a pessoa

A melhor forma de aprender é vendo como as coisas funcionam de verdade. Por isso, separamos alguns exemplos de situações comuns e como você pode aplicar o roteiro de feedback de um jeito que gere resultado. 

Veja como as frases são objetivas, focadas no problema e convidam ao diálogo.

Quando o problema é atraso, combinados quebrados e retrabalho

  • Situação: “Na reunião de projeto de segunda-feira, quando discutimos os prazos para a etapa de validação…”
  • Comportamento: “…você informou que entregaria a documentação até o final do dia, mas só recebemos na manhã de quarta.”
  • Impacto: “Isso fez com que a equipe de desenvolvimento tivesse que esperar, e o processo de testes atrasou um dia inteiro, impactando nossa entrega para o cliente.”
  • Pergunta e Próximo Passo: “O que aconteceu que dificultou o cumprimento do prazo? Como a gente pode se organizar para que isso não se repita? Que tal se na próxima vez, se você prever um atraso, a gente combina de você me avisar com antecedência de 4 horas para eu já realinhar com o time?”

Quando o problema é comunicação: interrupções, tom e ruído

  • Situação: “No brainstorming que fizemos na quinta-feira sobre a nova campanha de marketing…”
  • Comportamento: “…você interrompeu o Gustavo três vezes enquanto ele apresentava a ideia dele e o tom da sua voz parecia um pouco ríspido.”
  • Impacto: “Percebi que o Gustavo se retraiu e não conseguiu finalizar o raciocínio, e isso acabou inibindo outras pessoas de compartilharem suas sugestões, perdendo oportunidades de ideias novas.”
  • Pergunta e Próximo Passo: “Como você percebeu essa dinâmica na reunião? Existe algo que eu possa fazer para ajudar a facilitar a comunicação? Que tal se na próxima reunião de ideias, a gente combinar de cada um falar até o final da sua sugestão, e só depois abrir para perguntas, e a gente faz um teste?”

Quando a entrega é boa: como reforçar o que deve continuar

Feedback não é só sobre o que precisa melhorar. É muito sobre o que está indo bem e deve continuar! Reforçar o positivo é fundamental para a motivação e para que a pessoa saiba o que repetir.

  • Situação: “Na semana passada, quando você teve que resolver o problema da falha no sistema do cliente, o Ponto X…”
  • Comportamento: “…você não só identificou a causa rapidamente, como comunicou o cliente em cada etapa e buscou o time de TI para uma solução definitiva.”
  • Impacto: “Essa proatividade evitou que o cliente ficasse insatisfeito, manteve a confiança dele na gente e resolveu o problema de vez, sem que precisássemos escalar. Ficou excelente!”
  • Próximo Passo: “Continue com essa iniciativa, porque isso faz uma diferença enorme. Você me ensinou algo sobre como podemos resolver esses impasses de forma mais fluida. E como eu posso te apoiar para você seguir com essa autonomia?”

E quando a pessoa reage mal ao feedback?

A gente faz tudo certo, segue o roteiro, tem a melhor das intenções… e a pessoa reage mal. Isso pode acontecer, e é normal. Afinal, estamos tocando em um ponto sensível. Mas a forma como lidamos com essa reação é o que vai definir o sucesso da conversa.

Sinais de defensiva e o que responder sem aumentar a temperatura

Alguns sinais de que a pessoa está na defensiva: ela se justifica demais, joga a culpa em outros, minimiza a situação (“nem foi tão grave assim”), ou até ataca de volta (“mas e você, que fez X?”).

Quando isso acontece, precisamos manter a calma. Não entre na briga. Valide o sentimento da pessoa, sem validar o comportamento.

  • Resposta para defensiva: “Eu entendo que você possa se sentir frustrado/chateado com o que estou dizendo. Não é minha intenção te atacar, mas sim te trazer uma perspectiva diferente sobre um comportamento específico que observamos. Meu objetivo aqui é te ajudar a crescer e a gente ter melhores resultados juntos.”
  • Outra opção: “Eu não estou aqui para discutir quem está certo ou errado, mas para te trazer um ponto que está impactando o trabalho. Podemos focar nisso por um momento?”

Como pausar e retomar o objetivo:

Se a defensiva persistir e a conversa começar a fugir do controle, o melhor é pausar. Não vale a pena continuar se ninguém está ouvindo de verdade.

  • Pausando: “Percebo que essa conversa está sendo difícil agora. Que tal a gente fazer uma pausa de X minutos/horas e retomar depois? Assim a gente pode respirar e pensar um pouco no que foi dito.”
  • Retomando o objetivo: “Meu objetivo com essa conversa não é te criticar, mas sim te ajudar a desenvolver suas habilidades em X, porque acredito no seu potencial e quero ver você brilhar.”

Às vezes, só o tempo ajuda a digerir o que foi dito. E retomar com clareza sobre o propósito da conversa é essencial.

Quando levar a conversa para um 1:1 mais estruturado

Se a conversa inicial não fluir e a pessoa precisar de mais tempo ou de um espaço mais formal para processar, não hesite em marcar uma conversa a sós com ela.

  • Oferecendo o 1:1: “Sei que feedback pode ser algo complexo de receber. Que tal agendarmos nosso próximo encontro para a gente revisitar esse ponto, com mais calma, e pensar em como posso te dar o apoio necessário?”

O importante é que a pessoa sinta que você está ali para ajudar, e não apenas para apontar falhas.

Como receber feedback sem levar para o pessoal?

Receber feedback é tão importante quanto dar. E, sejamos honestos, às vezes dói um pouquinho. Mas a gente sabe que é no desconforto que crescemos. Transformar a maneira como recebemos feedback é uma das habilidades mais poderosas que podemos desenvolver para acelerar nosso desenvolvimento.

A primeira reação pode ser a de se defender. Mas se a gente conseguir segurar essa vontade por alguns segundos, pode fazer a diferença. Em vez de justificar, pergunte.

  • “Você pode me dar um exemplo específico de quando isso aconteceu?” (Ajuda a situar e entender melhor)
  • “O que exatamente você esperava que eu tivesse feito de diferente?” (Clarifica a expectativa)
  • “Qual foi o impacto que isso teve no trabalho ou na equipe?” (Ajuda a entender a consequência)
  • “Se eu fizesse X, isso seria o comportamento esperado?” (Testa a compreensão e busca a solução)

Essas perguntas mostram que você está aberto a ouvir e entender, e não apenas a se justificar.

Como pedir exemplos e combinar um teste de mudança?

Quando estamos recebendo feedbacks, é super válido pedir exemplos concretos. Se a pessoa que está dando o feedback está usando generalizações, você pode pedir para ela ser mais específica.

  • “Entendi. Você consegue me dar um exemplo recente de uma situação em que eu agi dessa forma?”
  • “Para eu ter certeza que entendi, o que seria um ‘bom’ comportamento nessa situação na sua opinião?”

E, depois de entender, a gente pode propor um “teste”.

  • “Faz sentido. Que tal se na próxima semana eu tentar fazer X diferente e a gente conversa na sexta-feira para ver como foi? Você topa me dar um retorno?”

Isso mostra iniciativa, compromisso e a vontade real de mudar.

Como terminar o feedback com um acordo, não com um pedido de desculpas infinito?

Um erro comum ao receber feedback é ficar se desculpando sem parar, ou prometendo mundos e fundos que a gente talvez não consiga cumprir. O ideal é fechar com um acordo claro.

  • “Obrigado pelo feedback, X. Eu entendi o ponto e o impacto. Vou focar em [comportamento específico a mudar] e a gente revisa isso no nosso 1:1 da semana que vem.”
  • “Agradeço muito a sua honestidade, Y. Isso me ajuda a enxergar um ponto cego. Vou me esforçar para [ação específica] e, se precisar de ajuda ou um toque, posso contar com você?”

Isso transforma a conversa em um plano de ação, não em um momento de culpa.

Perguntas frequentes sobre como dar um feedback construtivo

A gente sabe que, mesmo com um roteiro e exemplos, sempre surgem aquelas dúvidas comuns. Dar feedback é uma arte que se aprimora com o tempo, e ter as respostas para as perguntas mais frequentes nos ajuda a se sentir mais seguros para ter essas conversas importantes.

Com que frequência devo dar feedback?

A ideia é que feedback não seja um evento raro, mas parte do fluxo do trabalho. Pense na frequência como se fosse regar uma planta: em doses pequenas e regulares, para que ela cresça forte. 

Idealmente, feedbacks curtos e específicos devem acontecer o tempo todo, nas interações diárias, nos check-ins rápidos. E conversas mais estruturadas, como os 1:1, podem ser um momento para aprofundar um tema ou abordar algo que se repetiu. 

Quanto mais frequente e informal, menos dramático ele se torna.

Feedback por mensagem funciona?

Para feedbacks rápidos e sobre algo que não tem grande impacto emocional, sim, funciona. Por exemplo: “João, vi que você corrigiu o erro no relatório rapidinho. Mandou bem!” É um reforço positivo. 

Mas para feedback construtivo, que exige nuance, escuta e diálogo, a mensagem de texto ou e-mail raramente é a melhor ferramenta. Ela não permite ver a reação da pessoa, o tom de voz, e pode ser facilmente mal interpretada. Prefira sempre a conversa ao vivo ou por vídeo, onde a gente consegue interagir de verdade.

O que fazer quando o assunto se repete?

Se você já deu o feedback e o comportamento se repete, é hora de revisitar a conversa, talvez com um pouco mais de seriedade e um plano de ação mais robusto.

  • Revisite a conversa anterior: “João, lembra da nossa conversa sobre os atrasos na entrega dos documentos X? Percebi que o problema se repetiu no documento Y.”
  • Reafirme o impacto: “Como conversamos antes, isso continua impactando o cronograma do time e a confiança do cliente.”
  • Busque a raiz do problema: “Naquela época, combinamos que você me avisaria com antecedência. O que está acontecendo que essa estratégia não está funcionando? Tem algo que te impede de fazer diferente?”
  • Aumente a clareza sobre as consequências: “A gente precisa resolver isso. Se não conseguirmos ajustar esse ponto, quais seriam as consequências para o projeto/seu desenvolvimento?”
  • Reafirme o apoio: “Estou aqui para te ajudar a encontrar uma solução. Mas preciso que você também se comprometa a buscar uma forma de mudar.”

Aqui, talvez seja a hora de envolver um terceiro, se for o caso, ou de traçar um plano de desenvolvimento mais formal.

O que fica depois da conversa?

A gente deu o feedback, a pessoa ouviu, vocês fizeram um acordo. E agora? A mágica do feedback contínuo é que ele não termina na conversa. Ele se desdobra no dia a dia, na observação e no acompanhamento.

Um jeito simples de acompanhar sem microgerenciar

O acompanhamento não significa que você vai ficar em cima da pessoa, olhando cada passo dela. Isso é microgerenciar, e ninguém gosta. A ideia é criar pontos de checagem.

  • No 1:1: Reserve um espaço nos próximos 1:1 para perguntar sobre aquele ponto específico: “Como foi pra você aplicar aquele ponto que conversamos sobre as interrupções? Percebeu alguma diferença?”
  • Observação discreta: Observe o comportamento da pessoa no dia a dia. Se ela estiver fazendo diferente, elogie! Reforce o positivo. “X, percebi que na reunião de hoje você esperou a pessoa terminar de falar, e a discussão fluiu muito melhor. Parabéns!”
  • Incentive a autoavaliação: Peça para a própria pessoa monitorar: “Você consegue me dar um feedback sobre como está se saindo com o combinado de X?”

O importante é mostrar que você se importa com o desenvolvimento dela e que está atento, mas sem sufocar.

Criando um ambiente de trabalho mais enriquecedor

O clima de trabalho é como um espaço físico. A gente quer que ele seja agradável, inspirador, que as pessoas se sintam bem ali. E assim como usamos perfumes para ambientes para criar uma atmosfera convidativa, o feedback construtivo e bem aplicado ajuda a construir um ambiente de confiança e transparência. 

Ele elimina os “odores” do ruído, da desmotivação e dos problemas não resolvidos, deixando um ar leve e propício para o crescimento. 

É a diferença entre um lugar onde as pessoas pisam em ovos e um lugar onde elas se sentem à vontade para ser quem são e dar o seu melhor. Um ambiente com feedbacks bem conduzidos cheira a confiança e desenvolvimento.

Se você quer conversas mais humanas no seu time…

Percebeu como dar feedback construtivo é mais sobre um jeito de se relacionar do que sobre uma técnica rígida? 

Se tudo isso que a gente conversou ressoou com você, se você sente que aí no seu time a gente poderia ter conversas mais humanas e produtivas, a La Gracia pode te ajudar.

A gente não acredita em “palestrinhas” vazias, mas em experiências que transformam. Temos soluções e workshops desenhados para desenvolver líderes e equipes, ensinando a ter essas conversas importantes de um jeito leve, respeitoso e que realmente gera impacto.

Que tal agendarmos uma conversa? Você pode falar com a nossa equipe para entender como podemos ajudar o seu time a se comunicar melhor, construir relacionamentos mais fortes e desbloquear o potencial de cada um. 

Venha conhecer nossas soluções e descobrir como a gente pode, juntos, criar um ambiente onde o feedback é um verdadeiro presente.

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