Em Dezembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) nos convidou para ministrar uma oficina de storytelling para 900 servidores. A ideia inicial era mostrar como a construção de narrativas poderiam ajudar no atendimento humanizado.
Mas tinha uma informação muito importante no meio de tudo isso. O TJCE é referência em “atendimento humanizado”. Eles possuem 21 protocolos de atendimento que atendem muitos dos públicos que procuram o tribunal todos os dias, desde idosos, não-digitalizados, PCDs, pessoas em situação de rua, mulheres vítimas de Violência doméstica. Gente, é um trabalho realmente incrível!
Apesar de, todos os dias eles atenderem centenas de pessoas, a pergunta que ficou foi: O que acontece com essas histórias?
A verdade é que, ou ficam ali entre as pessoas que viveram a história, ou são contadas em casa, para amigos ou familiares. E na grande maioria das vezes, elas são ESQUECIDAS.
Foi daí que nasceu a FÁBRICA DE HISTÓRIAS PARA UM ATENDIMENTO TRANSFORMADOR. Um espaço dedicado a mapear, aprimorar e coletar essas histórias e dar vida a elas. Transformá-las em livro, rituais, treinamentos.

Uma coisa é você assistir um treinamento sobre atendimento humanizado. A outra coisa é você ouvir, dos seus colegas, histórias reais, vivas, cheias de conflitos, luta, suor, aprendizado e muita emoção.
“Vocês limparam o para-brisa do meu olhar. Aqui eu pude ver o que é um atendimento humanizado na prática.” – Servidor participante do Fábrica de Histórias.
Ao longo da experiência, fomos percebendo muitas coisas interessantes. E quem trouxe essas percepções? As próprias pessoas que participaram das oficinas:
“Ouvir os relatos dos colegas faz com que a gente se sinta motivado a continuar buscando cada vez mais melhorar-se.” – Servidora participante do Fábrica de Histórias.
“A gente tem passado pela vida sem vivenciar. Tudo está mecanizado e vai fazendo o que tem que fazer, as rotinas e a gente vai esquecendo de sentir as coisas pequenas que fazem toda a diferença. É isso que o curso que está me proporcionando.” – Servidor participante do Fábrica de Histórias.
Ouvindo as histórias uns dos outros, eles começaram a:
Ao longo das oficinas, mapeamos as principais dores das pessoas e mandamos pra diretoria. Era preciso dar as mãos pra resolver processos e problemas do cotidiano, que só quem vive, conhece.

Em cada encontro, cada pessoa ouviu ao menos 8 histórias diferentes e aprendeu coisas que talvez nunca poderia aprender de outra forma. Porque pensa bem. Por mais que nós, humanos, tenhamos um protocolo pra seguir, nós somos criativos, curiosos e brilhantes na criação de alternativas para resolver problemas que até Deus duvida. Você acha que isso tem num livro? Não, mas agora o TJCE vai ter.
Estamos quase no final desse projeto, mas queremos mais. Queremos levar esse projeto para outras organizações, coletar, ajudar as pessoas lembrarem de suas histórias, pensarem sobre elas, aprenderem a perceber mais o que acontece no seu cotidiano e contar suas histórias.
Acredito que esse trabalho tem o poder de transformar experiências individuais em patrimônio cultural coletivo. E de verdade, quem aqui não gosta de aprender contando e ouvindo histórias? Tem coisa mais humana que essa?
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