O que aprendemos ao levar o Copilot para a sala de aula.
Não sei você, mas eu estou achando uma maravilha usar a IA para me ajudar em algumas tarefas do dia a dia.
Por exemplo, estou treinando uma pessoa para realizar as vendas da La Gracia. Gravei nossos encontros, pedi para a IA transcrever tudo e, depois, organizar o que foi dito em uma apostila.
Ela organizou por produto, identificou o que falar durante a venda, o que evitar e até criou algumas abordagens rápidas para cada produto.
Gente! Imagina o tempo que eu levaria para fazer essa apostila? Foram pelo menos dois dias inteiros de trabalho transformados em alguns minutos. Não é sensacional?
Eu acho que é!
A IA só conseguiu entregar tão bem porque EU entreguei para ela um conteúdo muito bem definido, organizado e consolidado dentro de mim. Ou seja, não estou usando a IA como autora, mas sim como assistente.
Afinal, você já experimentou só dar um “oi” para a IA? Gente, ela “alucina”, fica prolixa, começa a falar um monte de coisas. E se você pede para ela fazer alguma coisa sem entregar um contexto claro? Senhor! Ela começa a trazer um monte de conteúdo que não foi pedido, se confunde.
Pensa que a IA tem um universo gigantesco e praticamente infinito para navegar. Se você não disser por onde ela deve caminhar, ela vai abrir possibilidades. Muitas possibilidades. E você vai ficar ali, exausto, olhando tudo aquilo sem saber por onde começar.
Por isso, é tão importante pensar no que pedir e como pedir.
Esse foi um dos pilares da Oficina de Apresentações com uso do Copilot, que realizamos em 14 e 15 de outubro para 25 participantes em um grande banco. Com 8h de Storytelling que faz sentidoe 8h de Visual que faz sentido, foi a primeira vez que incorporamos oficialmente o Copilot no plano de aula de uma oficina que já ministramos e aprimoramos há mais de 17 anos. Mais de 25 mil pessoas já construíram apresentações usando o nosso método e, dessa vez, o desafio era entender se a IA ia ajudar ou atrapalhar.

O que aprendemos? É o que eu vou dividir com você.
A gente não queria transformar o Copilot em uma válvula de escape, ou seja, não queríamos ensinar as pessoas a apertar um botão para que a IA construísse um roteiro por elas. Queríamos que elas percebessem que a IA pode ajudar muito, mas não pode ocupar o lugar da autoria.
Afinal, o senso crítico e analítico são fundamentais para avaliar se o que a IA entrega faz sentido. E isso exige que a gente desenvolva nossas habilidades de comunicação, em vez de simplesmente delegar o trabalho à ferramenta.
Por isso, na aula de Roteiro, o participante continuava sendo o “líder”. Era ele quem fazia as perguntas, tomava as decisões e avaliava as respostas. O roteiro foi construído passo a passo, junto com a IA: ela era uma assistente amiga, com regras claras e direcionamento limitado. O participante planejava tudo: objetivo, intenção, público, benefícios e necessidades. Depois, perguntava para a IA, com um contexto claro e bem definido, o que mais ela poderia contribuir. A IA ajudava a aprimorar e ampliar, mas sem pirar.

A IA pode ajudar a aprimorar e ampliar nossas ideias, mas precisamos saber o que queremos dizer e ter clareza sobre o que esperamos dela. Até os prompts que criamos precisam fazer sentido dentro do contexto de cada projeto. Porque, se todo mundo simplesmente copiar a mesma pergunta, corre o risco de todo mundo receber respostas muito parecidas.
Você é capaz de olhar para o que a IA traz e dizer: “Isso aqui faz sentido” ou “Isso aqui não tem nada a ver com o que eu quero dizer”?
Parece simples? Mas está longe de ser, viu!
Porque a IA escreve bem, mas, quando você olha com um pouco mais de atenção, ela pode parecer aquelas pessoas que falam bonito, parecem inteligentes, argumentam de forma elegante, mas não dizem nada.
E isso pode até impressionar. Só que, se você estiver fazendo uma apresentação com um conteúdo que não faz sentido, o resultado pode ser um monte de gente sem entender nada e, por isso, sem fazer o que precisa ser feito. E você sabe, né? Falta de compreensão gera falta de ação, que gera tempo perdido, retrabalho e, no fim, perda financeira. → Compreensão para a ação
Reconheceu aí algumas situações na sua empresa? É, porque esse cenário é baseado em fatos reais. Já acontecia antes da IA e agora… só está piorando.
E convenhamos: se uma ideia não faz sentido dentro da gente, como é que a gente a defende? Como argumenta? É a IA que vai apresentar lá na frente?
Hoje, muitas empresas já querem que seus colaboradores usem IA nas apresentações. E com critério, claro.
Mas aí vem a pergunta: eles estão sabendo usar?
E, já que estamos aqui, deixa eu te perguntar também: você está sabendo usar?
Tem a questão da confidencialidade, que já é um cuidado enorme. Que informação da empresa pode entrar ali? O que não pode?
Mas existe um outro cuidado, tão importante quanto o primeiro.
Aqui na La Gracia, a gente vem ouvindo muito isso de quem nos pede propostas: “O pessoal está usando a IA, isso a gente já viu. O problema é o que chega depois.”
Ou seja, gente usando tem de monte. O que falta é saber olhar para o que a IA entrega e dizer: isso serve e porque, isso não serve e porque, isso precisa ser adaptado para quem vai ouvir.
Sabe o que é mais curioso? Esse filme a gente já viu.
Antes era o PowerPoint. Todo mundo tinha, todo mundo abria, todo mundo montava. Mas pouca gente sabia dizer por que uma apresentação funcionava e outra não.
A ferramenta mudou. A carência por critério continua.
Foi por isso que, antes de colocar a IA para criar, trabalhamos o repertório, a intenção e a capacidade de análise.
Primeiro o humano, depois a IA. E depois, o humano novamente.
A IA ajuda na síntese, na organização e no raciocínio lógico, mas a decisão continua sendo humana.
Sozinha, não: a IA oferece possibilidades, mas quem define o que é relevante é quem conhece o contexto e o público.
Essa é uma boa pergunta. E a resposta traz uma boa notícia.
A IA trabalha muito bem com possibilidades, mas relevância é outra coisa. Ela pode trazer muitas referências, muitos caminhos e muitas informações. Mas definir o que realmente importa depende de contexto, experiência e vivência. Depende de alguém que consiga dar significado ao que está sendo construído.
A IA consegue até organizar as informações e encontrar padrões. Mas ela abre. Somos nós, humanos, que precisamos fechar!
E isso é uma boa notícia porque é justamente aí que entra o que temos de mais humano: nossa capacidade de avaliar, escolher e dar sentido.
Quantas vezes você já abriu um PowerPoint e simplesmente começou a montar a apresentação, juntando slides, textos, imagens e pesquisas, sem planejar nada?
Qual é o resultado? Uma colcha de retalhos? Uma salada de informações? Um Frankenstein?
Se você fizer isso com a IA, é como entrar num corredor com mil tipos de azeite para escolher. Ela vai continuar abrindo caminhos, sugerindo, criando, trazendo referências e apresentando possibilidades. Não tem cérebro que suporte tanta opção. Você pifa, viu? Acredite.
A IA te obriga a planejar antes de começar.
Se organize antes de começar. Aí a coisa vai linda!
Percebemos que o segredo não é aprender mais e mais sobre a IA.
A ferramenta vai mudar. Aliás, já está mudando agora que estou escrevendo este artigo. O que funciona hoje pode estar diferente daqui a uma semana.
A conclusão a que estamos chegando é que precisamos desenvolver aquilo que permanece mesmo quando a ferramenta muda: nosso jeito de planejar e pensar, nosso repertório, nossa capacidade de análise, clareza de intenção, conhecimento do público, capacidade de fazer boas perguntas, senso crítico e capacidade de reconhecer o que é relevante.
Precisamos ter coragem para olhar para uma resposta da IA e dizer: “Não. Isso aqui não faz sentido.”

A La Gracia trabalha com comunicação que faz sentido desde 2009 e, em 2010, lançou o primeiro curso de design de apresentações do Brasil. Com a metodologia CFS (Comunicação que Faz Sentido), já capacitou mais de 25 mil pessoas em empresas como Bradesco, Natura, Grupo Boticário e Porto Seguro.
Na Oficina de Apresentações com uso do Copilot, cada participante trabalha em um projeto real: planeja intenção, público e objetivo, usa a IA como assistente e sai com uma apresentação que faz sentido para quem vai ouvir. Cada turma é customizada para a realidade da sua empresa.
Quer levar a Oficina de Apresentações com uso do Copilot para o seu time?
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> Fale com a La Gracia por e-mail.
É possível fazer apresentações executivas com IA sem perder a autoria?
Sim. A IA funciona como assistente quando você planeja antes (intenção, objetivo e público), entrega um contexto claro e avalia cada resposta com senso crítico. Na abordagem da La Gracia, a sequência é: primeiro o humano, depois a IA, depois o humano novamente.
O Copilot consegue montar uma apresentação sozinho?
Ele consegue gerar textos, roteiros e slides, mas não decide o que é relevante para o seu público. Sem contexto, a IA abre muitas possibilidades, fica prolixa e entrega conteúdo que parece bom, mas pode não fazer sentido.
Por que respostas de IA ficam parecidas entre pessoas diferentes?
Porque, quando o comando e as referências são os mesmos, os resultados se aproximam muito. Na oficina da La Gracia, todos receberam o mesmo prompt e a mesma referência visual, e as respostas ficaram praticamente iguais. A originalidade vem do repertório e do contexto de quem pede.
O que planejar antes de pedir uma apresentação para a IA?
Defina sua intenção e objetivo, quem é o público, o que ele já sabe e o que não sabe, qual é a principal necessidade dele, o que você quer provocar e o que é realmente relevante de tudo o que vai falar.
Quais habilidades desenvolver para usar IA em apresentações?
As que permanecem quando a ferramenta muda: planejamento, repertório, capacidade de análise, clareza de intenção, conhecimento do público, capacidade de fazer boas perguntas e senso crítico para reconhecer o que é relevante.
Joyce Meira Baena
Sócia-fundadora da La Gracia, formada em Comunicação Social pela PUC-SP, há mais de 20 anos apaixonada por criar experiências de aprendizagem ativa e fazer as pessoas perceberem novas perspectivas sobre o que já sabem.